Qual a importância de amar a Sociedade?


Profa. Dra. Merisa Braga de Miguez Garrido
Presidente de Honra do XXXVIII Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Volto do meu querido Nordeste onde sempre me reabasteço de coragem e energia para seguir vivendo. Participei da IV Jornada Norte-Nordeste de Angiologia e Cirurgia Vascular realizada na Regional – CE, pelo empenho e sob o comando do operoso e incansável João Batista Costa de Holanda. Foi mais um sucesso que Fortaleza ofereceu à SBACV. Foi uma prova de amor, vencida com denodo, a cada passo que surgiam as dificuldades. É um exemplo da importância de amar a SBACV.
Todos nós amamos a nós mesmos, nossas vidas, nossos filhos, nossa família, nossos amigos e nosso trabalho. Exercemos esse amor de acordo com a noção de valores que recebemos na infância. Filha de dois professores, fui criada entre livros, em que o exemplo valeu-me mais que as palavras. Foi nesse ambiente de cultura e simplicidade que se formou meu caráter.
Ficou imbuído em meu espírito a idéia da integração à coletividade, seja esta a escola, a cidade, a região, o país, ou mesmo uma instituição, com o sentido de, por menor que fosse nosso âmbito de atuação, contribuir com criatividade e trabalho para o bem comum. Fazer crescer, com a participação aberta a todos, a entidade a qual se sirva.
Extrapolei esta noção para meus tempos de professora universitária e para as sociedades científicas. No Rio de Janeiro, cursando a Faculdade da Praia Vermelha, fui amiga de todos os colegas e com os sobreviventes de minha turma, comemoro sempre a nossa formatura. Ensinei anatomia na Nacional (UFRJ, dos dias atuais) e na UERJ, mas já me envolvia com a disciplina como monitora desde o 2o ano de acadêmica.
Em 1949, ainda como aluna, entrei para o serviço público como técnica de laboratório da cadeira de Anatomia, do Prof. Fróes da Fonseca, na tradicional Faculdade da Praia Vermelha. Mais adiante vim servir à querida escola como professora assistente da mesma cadeira e na de Técnica Operatória do Prof. Motta Maia, com dedicação e entusiasmo, merecendo a homenagem dos doutorandos em várias turmas de formandos.
A primeira vez que tal aconteceu levei meus filhos ao Municipal para assistirem à formatura da turma de 1959. Eram pequenos, vestiam um terninho pela primeira vez e também esta era para eles a primeira noitada. Ficaram muito orgulhosos da mãe.
Homenagem rara na época, para professor de cadeira básica, ainda mais dirigida a uma jovem mulher de 31 anos, foi para mim a estrela a anunciar que poderia caminhar com segurança na profissão escolhida.
Anos depois, em 1962, entrava por concurso, em primeiro lugar, como servidor do Estado do Rio de Janeiro, na qualidade de médica-cirurgiã-geral.
Passei a servir com brilhantes colegas (Cardoso de Castro, Eurys Dallalana, Mario Vianna, Levão Bogossian, Evandro Freire, Umberto Perrota, Enio Gabriel e tantos outros) no Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde chefiei o Serviço de Cirurgia Vascular Periférica, de 1969 até minha aposentadoria.
A riqueza de ensinamentos, a variedade de casos, as dificuldades enfrentadas desabrocharam não apenas sólidas amizades, mas permitiram material para mais de 25 teses universitárias, ou mesmo livros. Destaque seja dado aos dois volumes de “Trauma – a doença do século”, alentado tratado da autoria de Evandro Freire e cols. Atheneu, 2001.
“O Getúlio” foi, para todos nós, um hospital, uma escola, um lar. Nele organizei, com o aval do Centro de Estudos e a colaboração de renomados especialistas, 20 cursos de aperfeiçoamento em angiologia e cirurgia vascular.
Minha formação como especialista devo a Humberto Barreto, que me abriu o caminho no Hospital Moncorvo Filho. Anos depois, por três vezes reciclei conhecimentos nos excelentes cursos de extensão do professor L. E. Puech-Leão e estabeleci amizade com os colegas da USP.

O primeiro contato com a SBACV

Aproximei-me da SBACV no final da década de 60, quando meu ex-aluno de anatomia, Antônio Joaquim Monteiro da Silva, atual secretário geral da diretoria nacional, ia assumir o comando da Regional – RJ; também contei com o interesse de Rubens Carlos Mayall, um símbolo para a nossa SBACV.
Ingressei como sócia da SBACV ainda com a sigla de SBA (SBAng, como a designou Amélio Pinto-Ribeiro) e comecei a freqüentar seus congressos nacionais e as reuniões científicas da Regional – RJ. Conheci mais de perto figuras muito significativas, como Sydney Arruda, Lemos Cordeiro, Carlos José de Brito, Orlando Brum, Sylvio Frota Nogueira, Reynaldo Gallo, Antônio Luiz de Medina e tantos outros, que as páginas de um artigo não seriam suficientes para enumerá-las.
Em razão de minha participação constante na SBACV, fui escolhida para presidi-la, em nível regional, em 1979, voltando à presidência em 1983. A diretoria que exerceu suas atividades de abril de 1979 a setembro de 1981 contou com os seguintes colegas na sua composição: Eimar Delly de Araújo, na vice-presidência, Duarte Cesar Fernandes, como 1º secretário, Marcio Arruda Portilho, como 2º secretário, ACDG Mayall como 1º tesoureiro e Arno von Ristow na qualidade de 2º tesoureiro.
Na primeira gestão, o trabalho foi direcionado a buscar os sócios em seus serviços e a cada mês era escolhido um para sediar a reunião científica, com programação feita no início do semestre.
No boletim, que desde a presidência do Amélio saía mensalmente, eram reunidas notícias de todos e de todas as reuniões. No de julho dizíamos: “É idéia da Regional – RJ expandir os limites geográficos das suas reuniões, proporcionando a angiologistas e membros de outros setores da medicina o convívio com especialistas do Rio em suas próprias cidades...”
As reuniões no interior, ou na vizinha Niterói, foram inesquecíveis, pela importância que dava a divulgação de nossa especialidade e da SBA nas cidades visitadas. A acolhida era carinhosa. A primeira realizou-se em Petrópolis, em agosto de 1979 e foi organizada por Cid Moura Duarte. No dia 1º de dezembro de 1979, Edson Garcia de Freitas, chefe do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular da Policlínica de Botafogo, com a saudosa Maria das Graças, nos recebeu com carinho especial em Cabo Frio, na Associação Médica da Região dos Lagos. Colaborou na organização do evento nosso querido Marcio Arruda Portilho. Em junho de 1980 fizemos reunião em Niterói, organizada com muito esmero e sucesso graças a Tarcisio Rivello e João Pitombo.

Integração entre os colegas

No nosso segundo mandato continuou a preocupação de integrar os colegas fora da sede. Em 1º de dezembro de 1983, José Rogério de Souza Campos (hoje radicado na Bahia), discípulo de Carlos José e com estágio na Inglaterra, organizou uma bela reunião na Associação Médica de Campos. Em junho de 1984, sábado dia 30, fomos a Itaperuna assistir à impecável reunião, a 269a de nossa Regional, elaborada por Renam Catarina Tinoco. Em junho de 1985 nossa reunião deu-se em Friburgo, dentro do III Congresso Médico Centro-Norte-Fluminense, graças a Célio Feres Monte Alto.
Como se vê, o hábito é antigo. Aliás, relendo os boletins, verifiquei com alegria que nós todos trabalhamos muito pela nossa SBA – RJ. Atualizamos cadastro, incentivamos o trabalho de todos. E todos tiveram a oportunidade de aparecer, de mostrar seus conhecimentos, seus desempenhos, participar das discussões. As reuniões eram concorridas desde a primeira em 1979, no Fundão, organizada por Marcio Arruda Portilho. Havia muito amadorismo, mas muito respeito mútuo, camaradagem e seriedade nos compromissos. Era bom aquele tempo. A SBA – RJ cresceu muito naquela época.
Da segunda vez em que presidimos a Regional, mudamos de tática quanto ao modo de reunir. Os colegas de todos os serviços já se sentiam prestigiados; chegamos à conclusão de que à noite seria mais fácil reunir mais gente e o importante era agendar uma noite, na última quinta-feira de cada mês, em um mesmo lugar. Graças a Sylvio Frota Nogueira, criatura ímpar, sempre disposto a colaborar, sempre risonho, a transmitir solidariedade, conseguimos, sem ônus, o anfiteatro da Clínica Bambina. O sistema de rodízio de serviços na organização das reuniões continuou mas, para estimular a participação e aumentar a freqüência, instituímos pela primeira vez na nossa sociedade a figura do debatedor, três para cada tema.
Nessa gestão, a vice-presidência coube a Antônio Vieira de Mello, Vasco Lauria da Fonseca Filho foi o 1º secretário, Paulo Roberto Mattos da Silveira o 2º, e ACDG Mayall e Arno ocuparam os mesmos postos do primeiro mandato.
Desta feita, no biênio 1983-1985 apareceu pela primeira vez um conselho consultivo: Amélio Pinto Ribeiro, Eimar Delly de Araújo, Haroldo Jacques, Orlando Brum e Sylvio Frota Nogueira.
Caseira a administração, com sede na Dona Mariana, a cada vez que se reunia, invariavelmente na casa do presidente, obrigava secretário e tesoureiro a transportarem pesadas malas, arquivos e toda a parafernália que o ofício exigia; mas, verdade seja dita, como se trabalhava em conjunto, como todos cooperavam, até o Arno, sempre o último a chegar, mas chegando, sorrindo. Já existiam convênios, já se brigava com a Golden Cross, já existia Comissão de Honorários Médicos, da qual José Luis Camarinha do Nascimento Silva fazia parte e, como lutava pela defesa profissional. Hoje, graças a Vasco Lauria da Fonseca Filho – grande presidente – tem sede própria, lançou revista, tornou-se empresa.

Eleições para presidente nas regionais

As eleições nas regionais eram feitas, conforme os estatutos, até um mês após a eleição da diretoria nacional. Em Fortaleza, estabelecemos o saudável hábito de reunir os chefes dos vários serviços do Rio de Janeiro, para discutirmos os programas para o próximo mandato, ouvindo a opinião de todos e escolhendo a chapa e o presidente, democraticamente, de acordo com a opinião geral sobre quem melhores propostas tivesse. Todos se entendiam. Foi eleito Paulo Roberto Mattos da Silveira.
Este salutar proceder repetiu-se em Curitiba, quando foi escolhido Maldonat Azambuja Santos, mas depois foi esquecido. Houve até eleição regional anterior à eleição da diretoria nacional. Progressos sem dúvida foram feitos, e muitos, mas a política começou a ficar em primeiro plano e começou a ganhar terreno. Ë gozado, todo mundo se dava bem antigamente; o Haroldo Jacques era festejado. Pudera! Tinha uma revista colorida na mão – “Medicina de Hoje”. Dizem que, como fez a outros, Paulo Marcio Canongia vai reintegrá-lo como sócio.
Em 1984, Monteiro da Silva, realizou o I Encontro Carioca de Angiologia e Cirurgia Vascular, que poderia ter sido imitado, tido continuidade, mas preferiu-se fazer depois o I Encontro de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro. A meu ver perdeu-se um ano e até o nome, nome simpático Encontro Carioca.
Em 1991 comemorou, no Hospital Central do Exército, 25 anos de seu serviço, com coquetel, placas comemorativas, medalha Bustamante de Sá, enfim toda a pompa das cerimônias militares, com o comparecimento de muita gente. Eventos bonitos ocorreram muitos por este Brasil afora, de excelente conteúdo científico, participação de renomados especialistas estrangeiros e maravilhosas confraternizações, como os de Belo Horizonte, organizados por Marcio Castro e Silva, com visita às cidades históricas e jantar em Santa Luzia, na bela fazenda de sua família. Houve os do Rio desde o Internacional, no Glória, com Mayall, que recebeu quase 50 estrangeiros e produziu 3 volumes “Progress of Angiology”, como o Angio-81 (também com Anais) e o último de 2001, os dois sob a presidência de Carlos José de Brito, sempre com inovações; o de Odilon Almeida, em 1995 e o do saudoso Dirceu Falcão, em Maceió em 1979, a provarem a pujança do Nordeste, sem falar no pioneiro organizado por Romero Marques. Espera-se agora, que a Bahia supere as expectativas e que o de Porto Alegre seja esplêndido, em 2005.

SBA – Nacional centralizada no Rio de Janeiro

Voltemos à política no âmbito nacional. Foi no Congresso de Belo Horizonte em 1983 que, pela primeira vez, me procurou o Prof. Mario Degni, manifestando seu interesse em transferir “os poderes da SBACV – Nacional” para o Rio de Janeiro. Até então a SBACV, ainda sob a sigla SBA, como um todo, somente existia nos Congressos. Era nessa ocasião que se reuniam os seus sócios, que eram cobradas as anuidades, porque, com regularidade, somente funcionavam as regionais do Rio de Janeiro e de São Paulo. São Paulo avançara muito na especialidade e se impunha com a realização dos Encontros, a cada ano mais interessantes e concorridos, organizados de modo independente, embora sob a égide da Regional Enfim São Paulo dava o seu 2º grito da independência, o seu 2º sete de setembro, desta feita, em âmbito mais modesto, mas nem por isso menos vibrante, qual seja o de uma sociedade científica.
Havia na diretoria nacional uma alternância entre Emil Burihan e Mario Degni como secretário geral e tesoureiro geral, pela necessidade de continuidade de trabalho e de modo a não ferir os estatutos. Burihan, professor querido, aberto àqueles que queriam de fato fazer pós-graduação, estava alçando a Escola Paulista de Medicina em níveis científicos elevadíssimos e sentia-se o reconhecimento e a admiração, sobretudo dos mais jovens, por sua pessoa e por seu trabalho.
No Rio, Mayall, em São Paulo, Degni, ainda continuavam a encher salões com seus cursos anuais. Inteligente, político habilidoso, Degni pressentia que a SBA, embora solidamente construída, não crescia. Era ainda uma sociedade caseira, agradável no convívio, mas inteiramente defasada na sua administração. O presidente eleito ocupava-se quase tão somente dos congressos e de uma ou outra eventual ocorrência a exigir seu pronunciamento. Degni sentia a pressão dos mais moços para ceder poderes. Difícil de abandonar suas posições, nem tanto por vaidade mas, muito mais por zelo dedicado à SBA, por amor à SBA que, diga-se com justiça, cresceu e manteve-se viva da sua fundação até esta época, graças ao seu indiscutível empenho e ao de Rubens Carlos Mayall. A eles, internacionalmente conhecidos, juntavam-se os esforços de suas filhas, Celly Degni Westphallen e de Madalena Maria Mayall (Maninha) e depois de Teresinha Mayall, as duas últimas de saudosa memória.
Às vésperas do Congresso de Fortaleza – o lindo evento com o qual João Batista de Holanda e sua elegante esposa Miriam nos recebeu, em 1985 –, me telefonou Degni para que aceitasse o cargo de secretária geral. Os cargos nunca me encheram nem os olhos nem a vida, mas o trabalho a fazer, que me vem a mente, este sim, me fascina. Impus apenas uma condição – o nome de Vasco Lauria da Fonseca Filho para tesoureiro geral. Homem íntegro, inteligente e amigo leal, Vasco fora um grande esteio quando juntos labutamos no último biênio em que exercia a presidência da Regional – RJ.

Nasce a SBAVC

O congresso cearense foi histórico: nele, a nossa sociedade mudou de nome e de rumo. Nasceu a SBACV. Foi o primeiro a ser presidido por um titular não presidente.
Recordo que foi na AGO de Fortaleza que conheci José Fernando Macedo. Descendo às pressas a escadaria do centro de convenções para oferecer Curitiba como sede do próximo Congresso; atrás dele, como Sancho a acompanhar Dom Quixote, o nosso bem-humorado Beraldi, muito conhecido e querido de todos.
A presidência em 1985 veio para Eimar Delly Araújo, por seus méritos evidentemente, mas acrescido do fato de ter em suas mãos o Centro Médico suas atividades de abril de 1979 a setembro de 1981 contou com os seguintes colegas na sua composição: Eimar Delly de Araújo, tesoureiro e Arno von Ristow na qualidade de 2º tesoureiro.
Na primeira gestão, o trabalho foi direcionado a buscar os sócios earecia por lá o Bertolotti (José Constantino Garcia Bertolotti) com a idéia fixa de fazermos um congresso sobre imagem. Peruano de nascimento, ex-aluno meu de Anatomia, na UERJ, e de Mayall, no Hospital da Gamboa, Bertolotti se apegava aos mestres para alavancar suas interessantes sugestões. Algumas vezes organizava eventos com brasileiros nos congressos em Lima. E como nos recebia carinhosamente em sua casa, no Peru. Através dele fiquei conhecendo seu sedutor país, a Universidade de São Marcos, a primeira a ser fundada na mérica Latina e colegas gentilíssimos, como Alcántara, Del Águila, Carmen Fajardo, Hugo Valencia, Noé Bazán. Congressos bonitos, numa cidade muito especial, com belas e largas praças e casas de jardins internos e de belos balcões. Que saudades de Lima, e também daquele grupo que formávamos.
Fizemos passeios maravilhosos, em direção às montanhas, até Cuzco e à impressionante cidade inca de Machu-Pichu.
Em outra oportunidade, fomos até a cidade de Ica, em torno de uma lagoa na bocarra de um vulcão extinto. A direção escolhida era Paracas, com um hotelzinho lindo pintado de branco e de portas azuis à beira do Pacífico; sítio acolhedor, com um lindo gramado, romanticamente vazio, parecia um lugar de lua-de-mel, distante de tudo e de todos, encantadoramente “au bou du monde”. Ao lado, um pequeno museu com uma múmia... Coisas somente vistas no Peru. O destino era o santuário ecológico das Islas Balestas, com seus leões marinhos. Pudemos ver as linhas de Nasca.
Graças ao Bertolotti, conhecemos e amamos o Peru, seus museus, sua rica história e seu povo gentil. Também a ele devemos o IMAGO, assim batizado por Amélio. O primeiro realizou-se no CBC sob a presidência do Eimar, quando eu presidia a SBACV. O segundo me coube presidir, e nessa ocasião fizemos uma segunda reunião franco-brasileira, para retribuir o convite, feito pelo
Collège Français de Pathologie Vasculaire, através de René Rettori, para uma reunião franco-brasileira, em Paris, em 1991.
Quanto ao IMAGO, já se realizaram seis; o terceiro em Miami, o quarto em Nuremberg, o quinto em Salvador e o último em Barcelona, em 2000.

Boas lembranças....
Congresso deixa sempre uma boa lembrança, uma saudade. Dos nossos, isto é, dos da SBACV, muita história para contar... O de Curitiba, em 1987, começou com uma dúvida. Pareceu-nos importante tirar a limpo e convidamos o grupo organizador ao Rio. Foi um dia esplêndido, ou melhor uma noite esplêndida, na bela casa de Cecília e Eimar, com aquela deslumbrante vista para a Lagoa. Vieram Macedo, Julio, Nerlan e Beraldi documentados de tudo e para tudo.
Foi um show de eficiência, mas certamente que cansou o Beraldi que acabou cochilando, com a gata Samanta ao colo. O fato desarmou a formalidade da reunião, pela irreverência dos mais jovens.
Dois anos depois, o congresso explodiu de beleza e prestígio, no Curitibano, abertura prestigiada pelo governador. Julio documentou. Saiu o primeiro livro com a história da SBACV. Curitiba deu lição de organização, de marketing, de capacidade e lotou o Santa-Maria todos os dias com excelentes sessões científicas; ofereceu esplêndidas recepções, esnobou em luxo e carinho. Desde então passei a admirar e a estimar os curitibanos.
Dez anos depois, Macedo e equipe repetiram a dose, com a mesma galhardia e novamente Julio publicou depoimentos, lançando “Me­mória viva” e nova e alentada edição de “Incen­tivo à memória”.
Depois do Eimar era a vez do Simi, prometida em Fortaleza, com a condição de nos aceitar a mim e ao Vasco na mesma posição; no início, um pouco constrangedora, pois hoje até que gosto muito dos paulistas, tenho mais amigos lá do que por terras cariocas, mas neste tempo ficou incômoda nossa posição. Não obstante, estreitamos amizade e tudo correu bem no decorrer do mandato.
Em 1989 nos candidatamos à presidência. Foi um ato arrojado, porquanto até então as diretorias nacionais eram escolhidas por um consenso de, no máximo, dez pessoas, nem sequer se consultavam as bases, ou seja as regionais, ou os grandes serviços.
À última hora surgiu uma nova composição, dessa vez tirando do Rio os cargos de secretário geral e tesoureiro geral. A chapa ficou assim constituída: na 1ª vice-presidência Francisco Humberto de Abreu Maffei; na 2ª Valdemy Silva; secretário geral nosso inesquecível Berilo Langer; como 1º secretário Maldonat Azambuja Santos; 2º Adamastor Humberto Pereira; tesoureiro geral Fausto Miranda Júnior; 1º tesoureiro Marcio Leal de Meirelles; 2º Liberato Karaoglan de Moura; diretor de publicações José Fernando Macedo; vice-diretor João Luiz Sandri; diretor científico Franklin Pinto Fonseca. Pela primeira vez uma diretoria nacional operou uníssona, com colaboração efetiva de todos os seus membros, não apenas por decisões tomadas em reuniões, mas pela delegação de tarefas. Renovamos a banca examinadora para concurso de especialista. Distribuímos diplomas de louvor e de honra ao mérito aos que se destacaram no seu trabalho pela sociedade, reiniciamos o credenciamento de Serviços; estabelecemos intensa comunicação com todas as regionais já com o CGC legalizado desde a diretoria de Eimar, pelo trabalho eficiente de Vasco.
A tentativa de aprovação de nossos estatutos, que motivara uma questão judicial, foi resolvida por um acordo com Mario Degni graças à interferência preciosa de Carlos José de Brito. O Carlos José é uma pessoa inteligente e excelente articulador político. Educado, profissional respeitado, ganhou a sorte grande, ou melhor escolheu o bilhete premiado, quando casou-se com Nazareth.
No congresso em Vitória, de abertura festiva, também presidida pelo governador, houve a AGO para eleição da nova diretoria com duas chapas concorrendo, fato a meu ver salutar, prova de amadurecimento democrático de nossa SBACV. Passamos na mesma AGO toda a secretaria e tesouraria, 10 enormes caixas de documentos, o dinheiro e tudo mais para os recém empossados. Para a época foi um acontecimento. Hoje o volume de correspondência é muito maior, o trabalho se agigantou, tudo cresceu e melhorou, mas eu digo com muita alegria que o pontapé audacioso eu soube dar para alavancar este progresso da bem-amada SBACV.
Fui aplaudida pela platéia, de pé, na AGO de Vitória mas, nem mesmo o habitual voto de louvor concedido aos presidentes no final de sua gestão consta da ata dessa Assembléia.
Em compensação está publicado por Thomaz JB e Monteiro da Silva AJ em Eventos Vasculares, p 27 do Capítulo 1 de Síndromes Venosas. Diagnóstico e Tratamento de Thomaz JB - Revinter, Rio de Janeiro, 2001, o seguinte: “ O grandioso e excelente trabalho de consolidação e reconhecimento da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular desenvolvido por Merisa Braga de Miguez Garrido, em todas as frentes, mantendo a publicação do boletim informativo da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular em excelente nível redacional de atualização e rememoramento histórico, além de incorporar “Teses Brasileiras em Angiologia” de sua organização à sugestão de Irany Novah Moraes, para criar o Índice Bibliográfico Brasileiro de Angiologia, foi concretizado”.
Depois de mim, sempre acrescentando algo de melhor, vieram Maffei, Bonno, Gallo, Macedo, Elizabeth. Hoje a presidência está nas mãos de Marcio Meirelles.
Com novos estatutos, elaborados por Bonno van Bellen e uma comissão da qual participei e aprovados no final da gestão de Reinaldo Gallo, se estruturou uma sociedade mais progressista, mais aberta, com excelentes perspectivas.
São 50 anos de lutas, de glórias, de rusgas passageiras, no calor das disputas, muitas vezes descabidas, porque tudo que o homem faz é imperfeito.
Contudo, sobranceira segue seu curso a nossa querida sociedade, com várias sedes regionais, com boletins coloridos marcando seu espaço em prol do fortalecimento de nossa especialidade.
Vale à pena amar a SBACV. Ela faz parte da vida de todos nós.

merisa

HOMENAGEM A PROFESSORA MERISA GARRIDO

Quero agradecer ao Ivanésio, que em nome da diretoria de nossa regional me convidou para falar algumas palavras sobre e para a homenageada Prof. Dra. Merisa Braga de Miguez Garrido . Dentre tantos colegas altamente capacitados, é para mim uma honra ter sido o escolhido para desempenhar esta função. Tenho certeza que este convite se deve à grande admiração e amizade que tenho por Merisa.
A admiração iniciou-se em 1973 quando, recém formado, a conheci no congresso do Hotel Glória ( organizado pelo saudoso Prof. Rubens Mayall) e a amizade em 1979, quando me convidou para ser seu secretário no biênio 79/81, sua primeira presidência na nossa regional. Cabe lembrar que todos os presidentes que a antecederam eram homens, mas Merisa aceitou o desafio e tornou-se a primeira mulher a presidir uma regional da Sociedade Brasileira de Angiologia, fato este que se repetiu no biênio 83/85. Confesso que fiquei temeroso em aceitar o cargo para o qual fui convidado, mas a missão foi facilitada pelo dinamismo e carinho contagiante que nossa homenageada tinha e tem pela regional.
Um dos atos que marcaram sua passagem pela presidência, foi ter levado as reuniões científicas para o interior do estado, fato este que permanece até hoje.
A nossa convivência e amizade, a partir desta data, só veio se fortalecendo, quando em 1985, no Congresso de Fortaleza, recebi dela outra incumbência: ao ser convidada para o cargo de Secretária Geral da SBACV, indicou-me para Tesoureiro Geral. Permanecemos nos cargos nos biênios 85/87 e 87/89, quando Merisa, sempre a frente de sua época, candidatou-se presidente da SBACV e foi eleita no Congresso de São Paulo.
Se minha formação de cirurgião vascular se deve ao Professor Carlos José de Brito, a minha ligação com a SBACV se deve à Merisa.
Organizou vários cursos de Angiologia e Cirurgia Vascular no Brasil, dois cursos internacionais de Cirurgia Vascular em Lima, Peru, duas reuniões Franco-Brasileiras, uma em Paris, durante o XXV congresso do Collége Français de Pathologie Vasculaire e outra no Rio de Janeiro durante o IMAGO 92.
Participou como professora de 12 cursos da especialidade, organizados em Congressos nacionais e Peruanos e em 101 outros organizados pelas regionais no Brasil.
Publicou em colaboração com Amélio Pinto Ribeiro a primeira edição do livro Linfangites e Erisipelas (1983). A segunda edição foi revista e atualizada em 2000.
Autora de vários capítulos dos livros da nossa especialidade publicados em portugês e tradutora do livro La Vein – Son Imagerie de JD PICARD, impresso no Brasil em 2003.
Pessoa polêmica, por defender de forma tão apaixonada suas opiniões, nunca foi vista por seus interlocutores de forma indiferente, causando as mais variadas reações.
Obrigado Merisa por estar incluído no roll dos seus amigos.

Vasco Lauria.